Cidade de Deus cuidando de seus idosos

Por Valéria Barbosa

Há uma preocupação muito grande com a situação da pessoa idosa na Cidade de Deus. Segundo dados do IBGE/2010 a Cidade de Deus tem 4.000 pessoas idosas.
Não há uma pesquisa efetiva sobre a condição real em que vivem estes idosos. As informações sobre idosos que vivem sozinhos e são dependentes de cuidados de vizinhos, filhos, pessoas da igreja, chegam e são compartilhadas em conversas informais e nos encontros da rede.
No dia 20 de março este tema foi pauta de um encontro entre a Justiça Comunitária, agentes comunitários, representantes de Ongs, idosos e pessoas sensibilizadas com esta situação.
Entrevistamos a Senhora Rute Noemi Souza, assistente social do projeto Justiça Comunitária.
Rute como foi percebida pela Justiça Comunitária a demanda de um atendimento direcionado a pessoa idosa? Quando dividimos os 30 agentes comunitários do projeto em quatro grupos, com temáticas escolhidas por eles (saúde, infância e juventude, cultura e idosos) e cada grupo começou a se articular para atuar, fomos percebendo que no grupo dos idosos a demanda era enorme, pois a cada minuto aparecia um caso de idoso abandonado, precisando se locomover e  sem condições para tal, seja por falta de acompanhante, financeira  e/ou por não ter condições físicas.
Começamos a pesquisar e a procurar pessoas engajadas da comunidade para nos situar politicamente sobre a real situação do idoso na comunidade e se havia a inserção do poder público com políticas específicas para essa demanda.
Percebemos que não, mas, também percebemos que havia lutas isoladas voltadas para o idoso que poderiam ser aglutinadas para fortalecer o movimento.
Nessa caminhada, então, passamos a discutir sobre a possibilidade de lutar junto com as várias entidades da comunidade, para reivindicar do poder público, a criação na comunidade, de um Espaço de Referência do Idoso (ERI) que minoraria a situação de vulnerabilidade e abandono (em muitos casos) dos idosos dependentes da Cidade de Deus.
Neste encontro promovido pela Justiça Comunitária ficou decidida alguma linha de ação?
o encontro foi profundamente positivo. Resolvemos que faremos uma pesquisa na comunidade, ainda que por amostragem, para termos essa resposta. Ainda tiramos uma comissão que estruturará essa atividade de levantamento de dados. Outra estratégia será no sentido de começarmos a dar visibilidade a essa luta para que mais pessoas possam se engajar e 'aumentar o coro'. Duas outras reuniões já estão agendadas como desdobramento.

Compartilhe: 
Slideshow: 
0
Instituição: 
Jornal ANPQV