Do Jornal ao vídeo vivendo a notícia na Cidade de Deus

JORNAL  A  NOTÍCIA POR QUEM VIVE
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Do Jornal ao vídeo vivendo a notícia na Cidade de Deus.

O jornal a Notícia por quem vem ao longo de 2013 ganhando  mais força para continuar o seu trabalho de comunicação comunitária na Cidade de Deus.
Em quatro edições as impressões foram financiadas pelo Ministério da Cultura/Território da Paz, a última com a ajuda de amigos.  A grande preocupação de como manter as futuras impressões do Jornal faz com que a equipe cada vez mais procure formas de recursos financeiros para dar continuidade a esta forma de expressão do local.
Marília Gonçalves uma das colaboradoras  do Jornal revelou entre amigos a  sua preocupação  com a necessidade de recursos para as impressões,   eles trouxeram a  grande novidade: criar um vídeo de divulgação do Jornal com o objetivo de receber recursos para as próximas edições. A equipe de cara aprovou.
Foram convidadas pessoas da comunidade ou membros da equipe do Jornal,   gente que  respeita e vive a Cidade de Deus para comporem este vídeo, o material ficou muito interessante, tanto que já se idealiza ir além do vídeo de divulgação para um vídeo de apresentação do Jornal.
Este vídeo depois da sua edição estará no site Cartase buscando pessoas que queiram colaborar com doações para a manutenção do jornal. Catarse é um site com a finalidade de divulgar projetos e sensibilizar pessoas simpáticas aos mesmos para efetuarem doações.
O roteiro do vídeo e filmagem foram feitas por: Pedro Nobrega; Thiago; Yurico Samico a quem nós equipe do Jornal A Notícia Por Quem Vive agradecemos a criação do vídeo.

Thiago como surgiu a ideia de criar um vídeo de divulgação do Jornal A Notícia Por quem vive?
– A ideia surgiu da Marília. Ela já sabia e me falava vez ou outra que o universo que se refere à Cidade de Deus e ao Jornal era muito rico e daria um documentário. Mais tarde surgiu a ideia de buscar fundos para a continuidade do Jornal por meio de financiamento coletivo. Então, o grupo precisaria de um vídeo. Como eu, Pedro e Yuri estávamos montando a Vostok – que é uma produtora de narrativas -, Marília veio nos propor a ideia. Pouco depois fizemos uma reunião para ver se “daríamos pé” pra fazer o projeto, se realmente, conseguiríamos fazer algo interessante – principalmente do ponto de vista narrativo – e se seria realizável de modo prático. Chegamos num ponto. Trabalhamos com histórias, não com publicidade. E pensamos num modo de fazer um documentário que fosse mais geral, que falasse da história da Cidade de Deus do ponto de vista de seus moradores – fonte que nem sempre é levada em conta. A Marília falou uma frase marcante que nos inspirou e guiou nesse processo de criação de uma identidade de primeiro roteiro para o filme: “Esse (quem participa do Jornal A Notícia Por Quem Vive) grupo quer reescrever a história da CDD”. Sabemos do estima criado pela grande mídia com os favelados e, principalmente, com os moradores da Cidade de Deus. Sabemos também como o filme acabou reforçando essa ideologia de violência e marginalização de seus moradores. A partir daí, surgiu a ideia do filme. Vimos que poderíamos fazer algo com uma história (narrativa) de qualidade. Vamos tentando.
 Para Pedro Nobrega o que mais lhe chamou a atenção nos relatos foi a relação das pessoas com o lugar.

“ A paixão e a dedicação dos entrevistados pela Cidade de Deus é algo que eu jamais poderia sentir por nenhum lugar onde morei. Então, de certa forma, saí das entrevistas com essa sensação de nunca ter tido uma casa. Quero dizer, o espaço físico eu sempre tive, e minha família também, mas essa sensação de realmente pertencer a um lugar que não termina nas paredes da sala - uma comunidade - foi algo que eu provavelmente só senti nos tempos de faculdade, nunca nas minhas vizinhanças. E acho que as pessoas da Cidade de Deus (ou pelo menos os entrevistados) têm noção da riqueza dessa experiência, o que me deixa feliz.”

Este mesmo sentimento de pertencimento com o local foi percebido por Yurico Samico .

“Sem dúvida, o senso de coletividade. Todos os entrevistados demonstraram em seus discursos um comprometimento notável com a comunidade, com sua evolução, seu melhoramento, seu futuro. Uma preocupação que não é individual, mas coletiva.”
Foi uma oportunidade de conhecer mais sobre a Cidade de Deus e principalmente de ter o contato com alguns de seus moradores, conhecendo melhor suas visões e suas ações junto à comunidade. Quem apenas passa pela Cidade de Deus, não consegue ter noção do quão complexo é esse lugar. As deficiências e os problemas da comunidade são evidentes e é um alento saber que existem pessoas que lutam todos os dias pelo melhoramento da qualidade de vida, pela cultura e pela memória da Cidade de Deus.

Thiago nos relatou que chamou muito a sua atenção “O senso de coletividade dos moradores da CDD, a capacidade de se reinventar e a vontade de melhorar.  Aprendemos muito com cada entrevistado.”

Segundo Pedro o trabalho ainda não acabou.  Por enquanto posso dizer que foi uma experiência gratificante conhecer mais de perto a cultura e as pessoas da Cidade de Deus, sentir o contraste com a minha experiência pessoal... O trabalho tem fortalecido também minha convicção sobre a importância de criar cada vez mais pontes entre as diferentes partes do Rio de Janeiro e tornar os moradores da cidade mais interessados na realidade de sua riqueza e não na imagem vendida para os turistas.

Yurico Samiro nos revela quais são os possíveis desdobramentos para o material adquirido nas entrevistas.

“O material captado permitiria uma versão estendida do vídeo, que poderia ser exibida para fins educativos e culturais junto à comunidade, numa tentativa de valorizar a história da cidade de deus e de seus moradores, principalmente os mais idosos.”

Segundo Thiago,  além do vídeo para o pedido de financiamento que deve ter até 5 minutos – e que também serve como apresentação do Jornal pra vocês -, gostaríamos de fazer uma versão estendida que contemplasse melhor as histórias de todos os entrevistados. Não podemos prometer esse desdobramento, mas vamos tentar. Nesse caso, se conseguíssemos fazer, podíamos tentar colocar o vídeo para concorrer em alguns festivais, por exemplo. Acho que tem potencial pra isso.

Esse trabalho representa um desafio digamos, mais técnico, de criar narrativas para documentários. Esse trabalho significou mais um passo da nossa produtora, um aprendizado nas relações de trabalho e uma proximidade maior e de grande riqueza com nossos amigos do Jornal e alguns grandes moradores da CDD.

 

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